Tochas | Vasco Célio

Tochas | Vasco Célio

exposição de fotografia Tochas de Vasco Célio

VASCO CÉLIO

TOCHAS

de 9 de Dezembro de 2017 a 4 de Fevereiro de 2018

Museu Municipal de Faro

Praça Dom Afonso III 14, 8000-149 Faro

Horário: 3ª. a 6ª das 10h00 às 17h30 / Sáb. e Dom. das 10h30 às 16h30.

Encerra 2ªs e feriados

 

A exposição de fotografia Tochas, de Vasco Célio, é a segunda que apresentamos no âmbito do ciclo de arte contemporânea Um Certo Ponto de Vista: um projecto Artadentro que integra o programa cultural 365 Algarve.

Desde a sua origem, a humanidade tem procurado estratégias para combater as angústias da finitude e da morte. Esta disputa contra o transitório e o efémero encontrou expressão nas mais diversas manifestações artísticas. De todas elas, a fotografia, de acordo com André Bazin, é a que mais eficazmente tem permitido a salvação do ser pela sua aparência.

Em Portugal, o primeiro anúncio da consecução fotográfica relata bem o fascínio perante a possibilidade de embalsamação de um instante fugaz: [SIC] “O invento, ou descubrimento de que vamos fallar, merece um e outro titulo; a natureza e o engenho do homem, podem ahi apostar primasias. A natureza apparece retratando-se a si mesma, copiando as suas obras assim como as da arte, não em paineis presenciaes, inconstantes e fugitivos, como eram e são os rios, os lagos, as pedras e metaes polidos, mas em matéria que retém o simulacro do objecto visível e o fica repetindo com a mais cabal semelhança ainda depois de ausente…” (O Panorama, Jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, 16 de Fevereiro de 1839).

O corpo de trabalho aqui exposto, Tochas, de Vasco Célio, documenta o ritual pascoal da chegada dos homens com as suas tochas, para participarem na cerimónia da Procissão das Tochas Floridas na vila algarvia de São Brás de Alportel.

Conta-se que, há cerca de dois séculos, perante a aproximação de uma frota invasora e do perigo do saque, da destruição e da morte, os habitantes de São Brás de Alportel se socorreram de um ardil: à noite, ao longo da costa de frente ao mar, de tochas acesas nas mãos e outras enfileiradas cravadas no chão, convenceram o inimigo de que eram numerosos e estavam preparados: assim os fizeram cancelar o desembarque e seguir caminho. O estratagema foi perpetuado na forma ritual e estas fotografias, “painéis-matéria”, retêm e actualizam essa cerimónia, na justa medida em que o ritual o faz.

Para além do carácter intemporal, as imagens destes homens fotografados contra o branco redentor da cal remetem para uma longa tradição fotográfica, na qual encontramos referências, pistas de leitura, afinidades: desde a Straight Photography à candura encantadora dos retratos de António Gonçalves Pedro, ou à sobriedade desarmante dos retratos de  Rineke Dijkstra. As nove fotografias aqui apresentadas, porção de uma recolha muito mais extensa, realizada pelo autor entre 2011 e 2017, assaltam-nos na sua monumentalidade, olham-nos de frente à escala real e parecem dizer-nos, “estamos aqui agora, como estivemos há mais de quatro séculos, para enfrentar a morte de frente, com luz e flores”. Afinal, que mais é a fotografia, senão um desafio ao efémero, através da luz?

Daniela Garcia

Sobre o artista:

Vasco Célio é natural do Lubango em Angola donde, recém-nascido, vem com a família para Portugal. Desde então, reside e trabalha em Loulé no Algarve, região onde se tem afirmado como fotógrafo profissional e como artista. Estudou História da Fotografia de Publicidade, Fotojornalismo, fez Pós-Graduação em Artes e Programação Cultural no INUAF em 2007. Posteriormente participa em workshops de vídeo, de fotografia para cinema e, entre 2009 e 2012, frequenta Mobile Home (projecto de formação artística desenvolvido por Nuno Faria em Loulé). Desde 1996, participa em exposições individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro, bem como em projectos de colaboração com outros artistas.

Durante a inauguração, terá lugar uma prova dos melhores vinhos produzidos no Algarve, amavelmente proporcionada pela CVA – Comissão Vitivinícola do Algarve.


 

VASCO CÉLIO

TOCHAS

From December 09, 2017 until February 04, 2018

Museu Municipal de Faro

Tuesday to Friday from 10 am to 6 pm, Saturday and Sunday from 10.30 am to 5 pm.

Closed on Monday and public holidays

 

Tochas, the photography exhibition by Vasco Célio, is the second that we present in the context of the contemporary art cycle Um Certo Ponto de Vista (A Certain Point of View): an Artadentro project that integrates the 365 Algarve Cultural Program.

Since its early days, humankind has searched for ways of countering the anxiety of finitude and of death. This fight against the transient and the ephemeral, found expression in the most diverse artistic manifestations. Of all those manifestations, photography is, according to André Bazin, the one that most effectively allows for the salvation of being through its appearance.

The first announcement in Portugal of the photographic achievement, says well of the fascination with the possibility of embalming a fleeting moment: “The invention, or discovery of which we are going to talk, deserves both titles; the nature and the ingenuity of man, can find competence there. Nature appears by portraying itself, by copying its works as well as those of art, not in inconstant and fugitive presence panels, as were and are the rivers and the lakes, the stones and polished metals, but in a matter which retains the simulacrum of the visible object and repeats it with the most complete resemblance even after its absence…” (O Panorama, Jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, Februrary 16, 1839).

The body of work presented here, Tochas, by Vasco Célio, introduces the Easter ritual of the arrival of men with their lit up torches to participate in the ceremony of the Procession of the Flower Torches in São Brás de Alportel, Algarve.

Legend tells that over two centuries ago the inhabitants of São Brás de Alportel, facing the enemy approach of an invading fleet and the subsequent danger of looting, destruction and death, decided on a stratagem: at night, along the sea coast, with torches burning in their hands and others lined up standing on the ground, the villagers convinced the enemy that they were numerous and well-prepared, causing the fleet to cancel the landing and withdraw. These photographs, as “subject panels,” retain and presentify the ritual, just as the ritual itself does.

Beyond this timeless character, the images of the men photographed against the whitewashed walls refer to a long photographic tradition, in which we find references, reading insights, affinities: from Straight Photography to the charming candor of Antonio Gonçalves Pedro, or to the disarming sobriety of Rineke Dijkstra’s portraits. The nine photographs presented in this exhibition are part of a much more extensive collection produced by the author between 2011 and 2017. They assault us in their monumentality, facing us in their real scale, as if claiming: “Here we stand now, as we have more than four hundred years ago to bravely face death with light and flowers.” And in the end, what else is photography but light challenging the ephemeral?

Daniela Garcia

About the artist:

Vasco Célio comes from Lubango in Angola. He lives and works in Loulé, in the Algarve, the region where he has made a name for himself as a professional photographer and artist. He studied the History of Advertising Photography and Photojournalism, and did a postgraduate course in Arts and Cultural Programming at INUAF in 2007. Since 1996, he has been participating in individual and group exhibitions in Portugal and abroad, as well as in collaborative projects with other artists.

 

During the opening, there will be a wine tasting of the best wines produced in the Algarve, kindly provided by the CVA – Algarve Wine Commission.

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