Subtle Feelings | Lisbeth Moe Nilsen

Subtle Feelings | Lisbeth Moe Nilsen

SUBTLE FEELINGS

Existem demasiadas formas de demonstrar os afectos, as emoções e os sentimentos. Esta diversidade deve-se, entre inúmeros factores, à cultura subjacente – entenda-se educação e sociedade –, às características pessoais e a algo entre a individualidade e a comunidade. Estar entre uma linha ténue nem sempre é fácil ou imediato mas, por vezes, é o lugar em que se consegue promover a veracidade do mundo contemporâneo e aferir as relações entre os seus intervenientes, sem reflectir nenhuma resposta conclusiva.

A exposição Subtle Feelings de Lisbeth Moe Nilsen (Oslo, 1980) revela objectos e desenhos que à primeira vista se poderiam colocar sob o espectro minimalista. As formas simples, brancas, estilizadas, de aparente produção mecânica, por um lado, e a forma obsessiva e repetitiva dos desenhos, a delimitação cuidadosa dos mesmos e a pequena escala, por outro, denotam uma preocupação na demonstração barroca dos sentimentos. Esta contenção será fruto de uma prática artística muito própria que poderá ir em direcção contrária à propensão pela clareza das formas e dos desenhos. No decorrer da experiência sensorial os objectos e desenhos tornam-se mais luxuosos e sensíveis. As formas contraem leves vestígios de relações emotivas e sentimentais. Os objectos ganham formas quase naturais em detrimento das formas industriais inicialmente propostas, enquanto na obsessão dos desenhos surge uma subtileza na superfície muito própria da estrutura da pele e da teia.

Tomando em atenção as duas premissas – artificial e natural – várias perguntas se impõem: que tipo de objectos são estes? Em que medida são objectos de atracção ou repulsa? O que trazem consigo? E como atingem os seus espectadores?

Estas questões têm a capacidade de gerar outras questões promovendo uma discussão pertinente. Como consequência, as respostas vagas e traiçoeiras são, muitas vezes, mais esclarecedoras e atentas à fugacidade e intermitência das afirmações. Neste sentido, os objectos e desenhos presentes nesta exposição são porventura algo híbrido, intermédio entre o artificial e o natural, que não se fixa nem num nem noutro paradigma. Mais ainda, poderá ser através da reprodução mecânica de um gesto manual que se demonstra um sentimento muito privado e muito próprio. E talvez, não mostrar essa emoção de um modo óbvio e claro seja um modo muito verdadeiro de o fazer e de o sentir.

As esculturas helenísticas foram executadas com uma perícia exuberante. Os panejamentos que cobrem os corpos sensuais dos deuses mostram mais a pureza de tais personagens do que a escondem. Através deste efeito, os escultores promoviam o desejo e a sexualidade de uma beleza inacessível. A coerência da obra de Lisbeth Moe Nilsen reside na subtil apetência em não revelar o que é óbvio, deixando o espectador suspenso para que melhor se emocione e sinta aquilo que vê diante de si. Nos subtis desenhos e nas leves formas dos objectos apresentados o véu esconde sempre algo por detrás. Cabe a cada um dos espectadores levantar a sua parte do véu para sentir o que mais lhe convém.

Lisboa, Setembro 2009
Hugo Dinis

 

Nota de Imprensa

Subtle Feelings

De 3 de Outubro a 7 de Novembro de 2009

É no âmbito do acordo de intercâmbio estabelecido entre a Artadentro e o Det Tverrfaglige Kunstinstitutt / DTK Prosjektgalleri de Oslo que em 2009, a Artadentro irá receber a obra da norueguesa Lisbeth Moe Nilsen (Bærum, 1980), e será representada em Oslo por Tatiana Amaral (Lisboa, 1982). Esta iniciativa, conta com o apoio do Instituto Camões e da Royal Norwegian Embassy. Lisbeth Moe Nilsen (Bærum, 1980), estudou no Det Tverrfaglige Kunstinstitutt em Oslo, Noruega (2000-2004), e no University College for the Creative Arts em  Canterbury, Kent, Inglaterra (2005-2008). Colaborou como assistente em projectos artísticos de Júlio Silva e Mesic Rus, em Mostar, na Bosnia-Hercegovina, e no Centro Cultural de Cascais. Desenvolveu trabalho de pesquisa de desenho e escultura, em residência artística, no Centro de  Artes das Caldas da Rainha.   A sua obra tem sido exibida, sobretudo, no âmbito de mostras colectivas na Noruega e em Inglaterra. Moe Nilsen, trabalha a complementaridade do desenho com a escultura, explorando relações de linha/forma, forma/material, interior/exterior, cheio/vazio. Assim, cria desenhos e objectos/esculturas, em que a “ausência” da cor e o uso de materiais naturais, potenciam a expressão de pensamentos e emoções. Influenciada por Kant, Burke e Baudelaire, questionando a sua relação com o mundo e consigo própria, a autora investiga os processos que permitem que um estado emocional e/ou o pensamento abstracto se traduzam em experiências visuais.

Artadentro,
Vasco Vidigal

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